Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens

domingo, 2 de julho de 2023

Um dia diferente

Os dias correm, correm muito depressa. Quando damos por isso, já passou. Já passou um dia, já passou uma semana, já passou um ano, já passaram dez anos, já passaram vinte anos... na minha última publicação (Vasco Rodrigues... vinte anos!), falei de acontecimentos de há vinte anos. Parece que foi ontem!

Nem sempre foi assim, quando somos jovens o tempo custa a passar, queremos acelerar, temos pressa. Por vezes ponho-me a pensar que, de facto, o tempo hoje passa mais depressa, que não é apenas a nossa perceção.

(Albert Einstein, na sua Teoria da Relatividade, introduziu o conceito espaço-tempo como um conjunto, como uma única variedade de quatro dimensões, tratando o tempo como uma dimensão adicional às três dimensões espaciais, inseparável destas, já que a passagem do tempo - velocidade do objeto -  não é sempre igual, depende da velocidade do observador. Einstein contraria, assim, a mecânica clássica de Isaac Newton, em que o tempo é considerado uma unidade de medida universal. No nosso dia a dia, é esta ainda a idéia que prevalece. Isto para dizer que, tal como Einstein contrariou a teoria de Newton, quem sabe, alguém, um dia, me venha a dar razão! Quem sabe)


Para além dos dias ditos comuns, rotineiros, há dias que, sem que na altura nos seja percetível, serão insequecíveis. Ficam marcados na nossa história.


No âmbito da Avaliação de Desempenho Docente, a Marta, Diretora do Cenforma - Centro de Formação de Professores de Montijo e Alcochete, nomeou-me avaliador externo de duas colegas docentes da Escola Básica 2,3 de Pegões, escola sede do Agrupamento de Escolas de Pegões, Canha e Sto. Isidro.

(recordando, fui o primeiro diretor do Cenforma, entre 1993 e 1995, a minha colega e amiga Maria Aurélia Marcelino foi a autora do seu primeiro logótipo, escolhido por concurso; saudades da Maria Aurélia)

(Foi recentemente nomeado o novo diretor do Cenforma, Custódio Lagartixa, colega e amigo a quem desejo as maiores felicidades e sucessos)

24 de fevereiro de 2022, 06H30M, levantar. Acordar já foi há uma hora atrás, como sempre acontece quando saio da rotina. Pequeno-almoço e a caminho de Pegões. Levei o Type R.

(o Type R é um Honda Civic, uma vaidosice minha. Um carro com performences a mais para a minha idade, mas não para a idade do Filipe. Uma sociedade familiar)

7H45M, Escola Básica 2,3 de Pegões. Há muito que não visitava esta escola. Boas recordações.

(a Escola Básica 2,3 de Pegões foi inaugurada em 1997, durante o exercício das minhas funções de Coordenador do Centro da Área Educativa da Península de Setúbal, tendo eu indicado o meu colega e amigo Flamino Viola para Presidente da Comissão Instaladora; o Flamino levou consigo outro colega e amigo, o Carlos Romão, e a colega Fátima Vilela, com quem tenho menos contactos)

Recebido pela Diretora Mavilde Albino, fui assistir à primeira aula da colega Paula. 8º ano de Ciências Naturais. Recursos geológicos - proteção e conservação da natureza - foi o tema tratado, com incidência especial no impacte ambiental das pedreiras. Uma boa aula.

10H:00M, no Type R, o iogurte do meio da manhã. Ligo ao Filipe.

-- Tudo bem?
-- O Rafael está com Covid. Está aqui deitado no sofá. Agora devemos ter todos.
-- Pois, provavelmente. Eu, até ver, não tenho sintomas nenhuns.
-- Aqui em casa, por enquanto, é só ele, mas temos de ir fazer teste. Não sei se já sabes, mas a Rússia invadiu a Ucrânia, estão em guerra.
-- Não sabia! Eles andavam a ameaçar.
(Às primeiras horas de ontem, o poderio militar russo foi projectado nas três frentes onde, durante meses, se acumularam mais de 150 mil soldados, equipamento, artilharia e material logístico. Através do Donbass, no Leste, em apoio às forças separatistas, pelo norte, por via da Bielorrússia, e pelo sul, a partir da Crimeia, a península anexada por Moscovo em 2014. A ofensiva foi lançada por terra, mar e ar. Público, 25.02.2022)
E já lá vão dezasseis meses! O impensável aconteceu! A guerra regressou à Europa, numa das maiores ofensivas no continente, desde a II Guerra Mundial! Pela mão de Putin, que encarna a vingança daqueles que não apoiaram a queda da URSS e a sua metamorfose em democracia.
(Kiev viveu mais uma noite agitada, com bombardeamentos russos sobre a capital a fazerem disparar as sirenes toda a noite. Os estilhaços de um ataque com drone provocaram um ferido, mas todas as ameças foram destruídas pelas antiaéreas ucranianas, dizem as autoridades locais. Volodymyr Zelensky disse aos jornalistas que pelo menos 21 mil soldados do Grupo Wagner já perderam a vida no leste da Ucrânia, número impossível de confirmar. Certo é que o império de propaganda do chefe dos mercenários, Yevgeny Prigozhin, vai encerrar, mais um castigo pela tentativa falhada de motim do passado dia 24 de junho. Expresso on-line, 02.07.2023)
11H35M, volto à mesma sala de aula, para obervação da aula da Lídia. 8º ano de Ciências Naturais. Ecossistemas - fluxos de energia e ciclos de matéria, é o tema. Outra boa aula.

13H:20M, volto ao Type R para regressar ao Montijo. Era o fim do turno da manhã, alunos de saída, outros a entrar. Muitos em volta do carro. Pedi licença para entrar.

-- Grande máquina! O carro é seu, professor?
-- É verdade.
-- Fixe, professor. Grande máquina!

Era claro que, para além de apreciarem o Type R, queriam dizer que eu já não tinha idade para aquilo. Devia ter juízo. Concordo.

Chegado a casa, o neto Rafael prostrado no sofá. De tarde, os pais foram fazer o teste ao SARS Cov-2 - positivo. Eu e a minha mulher fizemos no dia seguinte, de manhã - positivo. Todos de quarentena, durante sete dias. No fim dos sete dias, foi a vez da neta Filipa. Ficámos todos bem. Pensamos nós.

O regresso à escola de Pegões. A guerra na Europa. Covid-19. Um dia diferente. De todos os dias da nossa vida, só alguns ficam a fazer parte da nossa história.

Como diz Saramago em Cadernos de Lanzarote - Diário II,
Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Retenção dos alunos - sim ou não?

A retenção dos alunos no ano de escolaridade que frequentam é um tema sempre atual e que divide opiniões.

(chumbar, reprovar, reter, por esta ordem, foram os termos empregues no antigamente, e que foram, sucessivamente, suavizados)

Reter pressupõe uma situação transitória, uma permanência no mesmo ano, a fim de dar ao aluno oportunidade de, em mais tempo, atingir as aprendizagens mínimas, definidas para cada ano de escolaridade.

Ligada à retenção está a escolaridade obrigatória, que foi evoluindo da quarta classe (hoje 4º ano de escolaridade), depois 9º ano (ensino básico) e, atualmente, 12º ano (ensino secundário). Pressupõe-se, assim, que todos os alunos terão capacidades cognitivas para atingir as aprendizagens essenciais para cada nível de ensino, embora com diferentes níveis de consecução.

Excetuando no final de cada ciclo (4º, 6º, 9º e 12º anos), a retenção só se poderá verificar a título excecional, ou seja, na prática, quase nunca (ou nunca), e mesmo no final de ciclo a retenção continua a ser excecional. Claro que, se corresponder a uma avaliação devidamente ponderada e verdadeira do desempenho dos alunos, como acontecerá na esmagadora maioria dos casos, ainda bem.

Mas os professores sentem uma pressão latente do sistema,

(que se sente no ar que se respira nas escolas, uma pressão do Ministério da Educação, de algumas direções das escolas, mas que dependerá, também, da perceção de cada um)

uma pressão para os alunos não serem retidos, podendo, assim, gerar um sucesso escolar tão fictício quanto deixe de corresponder à avaliação das reais aprendizagens adquiridas.

A retenção trará benefícios para o desenvolvimento educativo dos alunos, valoriza o rigor, a exigência, o esforço. Premeia os que se dedicam e motivam o sucesso educativo, a resiliência e a capacitação para transpor obstáculos futuros. Isto, para os que serão a favor das retenções.

Reter alunos será uma medida punitiva que poderá até, por vezes, promover a punição familiar, muitas vezes desproporcionada. Pode, em si mesma, consubstanciar injustiças, considerando a existência de critérios e instrumentos de avaliação diferentes de escola para escola. Pode, ainda, ignorar fragilidades do próprio sistema educativo (desde o pré-escolar) e a existência de ambientes (escolares e/ou familiares) pouco propícios à aprendizagem, por que o aluno foi passando ao longo do seu percurso escolar. Isto, para os que serão contra a retenção.

Todos terão alguma razão e os argumentos de uns não excluem, necessariamente, todos os dos outros.

Tal como o Professor Domingos Fernandes e muito colegas com que me cruzei durante mais de 40 anos, acredito, sem hesitar, que todos os alunos têm capacidades para aprender. Todos terão capacidades para adquirir as aprendizagens essenciais consideradas mínimas para a transição de ano de escolaridade. Necessitarão, com certeza, de um nível diferenciado de apoio para isso acontecer. Uns terão um nível de consecução de objetivos superior, outros inferior, consoante as suas capacidades cognitivas, o seu empenho e o seu ambiente social e familiar.

Aqui chegados, como conseguir que, ao seu nível, todos tenham o seu sucesso educativo, que lhes permita ser útil na sociedade, seguir as suas vidas de acordo com as suas legítimas aspirações?

(entenda-se que não tenho, obviamente, a pretensão de ser inovador mas tão só de refletir sobre esta matéria (e partilhar convosco), usando experiências, leituras e aprendizagens que fui obtendo ao longo da minha vida profissional, com muita colaboração de colegas professores e alunos. Algumas escolas, nos limites da legislação, já dão prática a algumas destas reflexões.)

Para isso, a Escola precisa de mais recursos, ou precisa de os otimizar e/ou rentabilizar. Como referimos, os alunos têm necessidades de apoio diferenciadas. Todos os professores, nas suas turmas, são confrontados com essas diferenças e todos dias ouvem dizer que o ensino terá de atender a cada um, tendo em conta as suas diferenças. Fácil dizer! Difícil (ou impossível) de concretizar com 30, ou mesmo 25 alunos na turma!

Com um horário que incluísse um ou dois tempos letivos

(disse letivos, estas atividades de apoio são, de facto, letivas)

para apoio aos seus alunos com mais dificuldades, seria possível aos docentes fazer essa diferenciação. Um ou dois tempos letivos, consoante a carga horária de cada disciplina, podendo também as mesmas horas serem afetas a mais de uma turma, até um número limite (reduzido) de alunos.

(com a possibilidade de algumas destas horas se realizarem à distância, ao critério da direção da escola)

Assim, teríamos alunos que, para o mesmo currículo, frequentariam 3 ou 4 tempos, por exemplo, para a mesma disciplina, consoante as suas necessidades. Esses tempos teriam de ser obrigatórios para os alunos indicados, podendo ser frequentados apenas em parte do ano letivo.

O envolvimento dos pais e encarregados de educação seria essencial,

(a contratualização com os pais poderá resultar num maior compromisso, maior co-responsabilização dos pais pelo plano de apoio. Sabemos das dificuldades de envolver as famílias, até porque há famílias e "famílias" que não existem. Nenhuma medida terá 100% de êxito e depois, será mais um papel, mas talvez este valha a pena, em substituição de muitos outros)

com especial empenho dos diretores de turma na explicitação destes objetivos, que justificariam um acréscimo de horas curriculares (pelo menos, temporariamente), mas também da importante e imprescindível colaboração em ambiente familiar.

(afinal, quando temos mais dificuldades, temos de trabalhar mais para obter os mesmos resultados, e esta será a cultura do esforço a incutir nos alunos)

A Escola inclusiva não tem de ser facilitista! A Escola deverá proporcionar a todos as mesmas oportunidades, sem abdicar do rigor, da exigência e da qualidade. Numa Escola com recursos otimizados, a retenção será, naturalmente, excecional, não abdicando de uma avaliação fortemente formativa, mas justa e rigorosa, promotora de um sucesso real, não sendo um meio de exclusão e descriminação.

Retenção dos alunos - sim ou não? Sim, mas depois de esgotados todos os recursos necessários para que tal não aconteça. Recursos que os docentes necessitam para um sério exercício da profissão.

Nada se faz sem a colaboração de todos os agentes educativos - alunos, professores, pais e encarregados de educação, pessoal não docente e autarquias locais, mas precisamos de os estimular, de melhorar as carreiras profissionais, de apostar nas escolas, com mais e melhores recursos humanos e materiais.

Temos excelentes profissionais!

A Escola Pública de qualidade será sempre cara, mas será sempre um investimento!

terça-feira, 30 de maio de 2023

João Vau - o meu padrinho!

Era uma vez uma senhora que tinha um lugar na praça (hoje, Mercado Municipal), no Montijo, conhecida por Ti Virgínia. Na altura, por volta dos anos sessenta do século passado, os fornecedores de frutas e hortaliças para o mercado chegavam por volta das sete, sete e meia da manhã, mas a Ti Virgínia nunca chegava depois das seis, para conseguir as frutas de melhor qualidade.

Lembro-me de algumas vendedoras, 

(a Ana Rosa, a Eugénia, a Maria Luísa, a Augusta, que vendia frangos,...)

até porque eu era visita obrigatória de todas estas e de muitas mais, pelo menos uma vez por semana. A Ti Virgínia, a minha avó, dava-me a mão e ia mostrar-me a quase toda a praça, com grande orgulho e entusiasmo! Era uma alegria! O neto da Ti Virgínia era lá famoso!

Com a minha mãe, ia muitas vezes à praça e recebia a semanada, penso que de cinco escudos, que foi aumentando e chegou a vinte. Com mais alguns anitos, comecei a ir ajudar a minha avó a pesar, a fazer trocos, a fazer caldo verde.

(muito gostava eu de dar à manivela daquela máquina!)

Foram bons anos!

Por hábito, quando recebia o resultado dos exercícios (como se dizia na altura), que fazia na escola primária, na turma do Professor Cortiço, ia logo dar a notícia à Ti Virgínia, principalmente, quando eram positivas, claro. Um dia, vim da escola direto à praça e dei notícia de um descuido: xi-xi nas calças! Como morava perto da praça, a minha avó levou-me a casa e, cá de baixo da escada, disse à minha mãe : "olha, Maria, o teu filho teve um bom!", isto acompanhado de grandes gargalhadas. Uma alegria!

Mas isto tudo

(desviei-me do objetivo desta publicação)

para dizer que, a praça, tal como hoje, também tinha talhos, um deles era do "Zé do Talho", ou o "Zé do Vau", com quem a minha avó também tinha muito boa relação. O "Zé do Vau" tinha um filho, por quem a Ti Virgínia tinha um grande carinho, uma grande admiração, andava a estudar, andava a tirar um curso - o João Vau, o João Francisco de Oliveira Vau.

Bom, de facto, a Ti Virgínia adorava o João Vau e ele também tinha um grande carinho por ela, e o João Vau, o filho do "Zé do Vau", tinha de ser padrinho do neto. E foi! Padrinho de batismo,

(na altura, por influência da minha titi Júlia, todos tínhamos de ser católicos; depois, mais tarde, comecei a faltar à missa para ir ver o futebol, a titi não gostou, mas o meu pai não me obrigou a ir à missa, e acabou assim)

dizia, padrinho de batismo e depois, padrinho de casamento, já a minha avó não estava entre nós. "Muito gostaria a Ti Virgínia de ter podido ver!", dizia-me ele.

Os padrinhos, em 13 de outubro de 1979

E o João Vau assumiu, por inteiro, a sua função de padrinho. Professor de profissão, acompanhou toda a minha fase escolar, com um contínuo apoio, muito importante para a sua conclusão. Depois dos meus pais, não tenho dúvidas em dizer que foi quem mais me influenciou em tudo o que fui fazendo na vida, como aluno e, depois, como colega professor. As corridas e o gosto pelos livros foram também obra dele!

(o João era amante do jogging, tem muitos quilómetros nas pernas, e um amante de livros, como ainda é hoje, um amante do conhecimento. Com muita pena minha, nunca fiz uma corrida com ele, já que um acidente não o deixou continuar, mas não me esqueço das nossas visitas à Livraria Escolar Editora, na Rua da Escola Politécnica, junto à antiga Faculdade de Ciências de Lisboa (FCL), sempre à procura das últimas novidades da ciência)

Todos sabem bem de quem falo, do Dr. João Vau, professor que lecionou muitos anos na atual Escola Secundária Jorge Peixinho (ESJP).

(antes, Escola Industrial e Comercial de Montijo, Escola Secundária de Montijo e Escola Secundária Nº 1 de Montijo)

Casado com a minha madrinha Silvina Vau, também docente aposentada, e com dois filhos, o Nuno e a Sílvia, médico e bióloga investigadora, ambos doutorados. Destacando alguns dados do seu vasto currículo, foi o primeiro docente efetivo desta sua escola proveniente de Exame de Estado perante um júri nacional onde, logo após o 25 de Abril de 1974, foi Diretor da então Escola Industrial e Comercial de Montijo. Na ESJP, muitos outros cargos se seguiram. Em parceria com o Professor Doutor Galopim de Carvalho, que orientava a componente científica, foi Orientador de Estágio do Ramo Educacional da FCL, durante 14 anos, na altura, o único núcleo de estágio de Geologia no país.

Em 1983, no âmbito do Grupo de Estágio do Ramo Educacional da FCL, no seminário sobre Sismologia, na Câmara Municipal de Montijo, com o Professor Francisco Santos (Presidente do Conselho Diretivo da ESJP), o autor desta publicação, o Professor Doutor Carlos Sousa Oliveira (do Laboratório Nacional de Engenharia Civil) e o Dr. Sérgio Pinto, já falecido (Presidente da Câmara Municipal de Montijo)

Em 1980, com os Professores Galopim de Carvalho, Gil Pereira, José Brandão, Perdigão Silva e Pires Batista, foi co-autor do primeiro manual escolar de Geologia, para o 12º ano do ensino secundário. Em 1984, foi co-autor da prova de exame nacional do 12º ano, de Geologia. Pertenceu ao grupo restrito de professores do ensino secundário convidados para as conferências, organizadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, a propósito da Conferência do Rio,

(também conhecida como Eco-92, Cúpula da Terra, Cimeira do Verão, Conferência do Rio de Janeiro e Rio 92, foi uma conferência de chefes de estado organizada pelas Nações Unidas e realizada de 3 a 14 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil)

Ao longo dos seus 44 anos de serviço, em escolas do Barreiro, Setúbal e Montijo, tinha com os seus muitos alunos e estagiários uma excelente relação, uma boa disposição permanente e um amor à sabedoria, que lhes transmitia sempre com grande saber, entusiasmo e dedicação.

Em janeiro de 2001, no jantar de minha despedida do Centro da Área Educativa da Península de Setúbal, com o meu filho, o Major Parracho, que dirigia o Gabinete de Segurança do Ministério da Educação, e o Capitão Pires, do Gabinete de Segurança da Direção Regional de Educação de Lisboa.

Um amante da sua Geologia, mas não só. A leitura diária, que hoje continua, quase compulsiva, de jornais, de revistas e de literatura variada, faz dele uma fonte de saber em variadas áreas do conhecimento. Recentemente, convidado por alguns docentes, fez uma palestra para alunos e professores da sua ESJP, sobre o Universo e, na Universidade Sénior do Montijo (USM), uma outra sobre "O Papel da Mulher nas Ciências". Em ambas, com plateias cheias e bastante interessadas. Continua a colaborar com a USM, tendo prevista nova conferência, em setembro do corrente ano.

Na Palestra sobre o Universo, com as Professoras Rosa Balão e Teresa Bordeira, na ESJP, em 3 de junho de 2022


Na conferência "O Papel da Mulher nas Ciências", com os seus netos, na USM, em 3 de março de 2023

Em reunião da Assembleia Municipal de Montijo, de 13 de setembro de 2013 (a cerca de um mês do fim do mandato autárquico e em pleno período eleitoral), o então deputado municipal José Manuel Mata Justo

(o meu colega e grande amigo Zé Justo, também, tal como eu, professor recentemente aposentado, integrou também comigo um grupo de estágio orientado pelo Professor João Vau)

dizia que o Dr. José Mata Justo apresentou, nessa altura, uma sugestão para atribuição da medalha de ouro da cidade de Montijo ao Professor João Francisco de Oliveira Vau. Recentemente, após a excelente conferência na Universidade Sénior que atrás referi, lamentou que ainda não tivesse sido atribuída essa merecida distinção.

Seria merecido! Também muito me alegrava que isso acontecesse!

João Vau, uma vida ao serviço do conhecimento, do ensino, da Educação do Montijo!

Bem haja Dr. João Vau! Bem haja padrinho! Obrigado.

PS - Encontrei-o, ontem, em casa, com 82 anos, com o entusiasmo de sempre, a ler um livro do Professor Carlos Teixeira, eminente professor de Geologia! Para saber mais! Sempre!

terça-feira, 23 de maio de 2023

A carreira e os alunos, a razão da profissão docente.

Iniciei a minha carreira em 13 de janeiro de 1978, na Escola Secundária da Moita, com horário incompleto, como Professor Provisório.

Acabei o ano letivo de 1977-78 e interrompi para terminar a licenciatura, voltando à docência em 23 de outubro de 1981, na Escola C+S de Alcochete, também como Professor Provisório.

Acabei o ano letivo 1981-82 e, no ano seguinte, como Professor Estagiário, ingressei na Escola Secundária do Montijo (hoje, Escola Secundária Jorge Peixinho). Terminado o estágio, aqui continuei em 1983-84, como Professor Não Efetivo.

Em 1984-85 fui colocado na Escola Secundária da Moita, já como Professor Efetivo, tendo sido destacado para a Escola Secundária do Montijo como Delegado à Profissionalização, orientando (ou tentando orientar) um professor estagiário.

Em 1985-86 fui colocado novamente na Escola C+S de Alcochete, mas já como Professor Efetivo, voltando em 1986-87 à Escola Secundária do Montijo, depois Escola Secundária Nº 1 de Montijo e depois Escola Secundária Jorge Peixinho.

Entre 1996 e 2001 fui destacado para a Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, onde exerci o cargo de Coordenador do Centro da Área Educativa da Península de Setúbal.

Voltei à minha Escola Secundária Jorge Peixinho e aqui fiquei. Desempenhei vários cargos e, com muita honra e dedicação, fui Diretor entre 17 de junho de 2009 e 17 de julho de 2013. Aposentei-me em 1 de fevereiro de 2023.

Ensinamos o melhor que sabemos e podemos, mas aprendemos muito, com os colegas, com os alunos. Os alunos, a razão de ser da nossa profissão.

Quero, por isso, aqui, recordar, com saudade e reconhecimento, todos os meus alunos. Pena que só tenha fotos deles a partir 2015. Antes não era hábito fazer esse registo, ou eu infelizmente não o tinha, e as tecnologias passaram a facilitar bastante.

Deixo aqui algumas dessas fotos, das minhas turmas, desde o ano letivo de 2014-2015.

Turma C do 10° Ano - Ano Letivo 2014-2015

Turma C do 11° Ano - Ano Letivo 2014-2015

Turma B do 10° Ano - Ano Letivo 2015-2016

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2015-2016

Turma B do 10° Ano - Ano Letivo 2016-2017

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2016-2017

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2017-2018

Turma A do 10° Ano - Ano Letivo 2018-2019

Turma B do 10° Ano - Ano Letivo 2020-2021

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2021-2022

Alguns dias antes da data de aposentação, já não voltaria à escola, recebi um telefonema dos alunos da minha última turma, dizendo que se queriam despedir de mim. Voltei e aqui fica a última foto, em 26 de janeiro de 2023. Só os professores sabem o que, verdadeiramente, isto significa.


Um grande abraço a todos eles, todos, os da foto e a todos os outros que tive em 41 anos de serviço.

Um profundo e reconhecido agradecimento aos colegas que, ao longo dos anos, me foram ensinando a ser professor. Igualmente, estou muito agradecido aos assistentes técnicos e operacionais, cujo trabalho é tão importante e muitas vezes não reconhecido.

Nas fotos, quem conhece quem?

Obrigado.
Sucessos e felicidades para todos.

domingo, 21 de maio de 2023

IA - soam alertas!

Praticamente todos os dias temos notícias relacionadas com a inteligência artificial (IA). Recconhece-se as suas muitas vantagens mas, atrevo-me a dizer, o que mais está a mobilizar as atenções são os seus perigos.

O G7, os líderes das sete economias mais ricas do mundo, reunidas no Japão, deram início ao que designaram por Processo de Hiroxima. Pretende-se que este processo culmine com um acordo para regulamentar o uso da IA, protegendo os cidadãos dos seus perigos. Não será fácil. De facto, concordando todos com a defesa dos valores da democracia, nipónicos e norte-americanos temem que a regulamentação possa ser demasiado exigente, limitando a inovação, enquanto a Europa trabalha por si, onde a Itália já aboliu algumas ferramentas da IA mais populares.

Importa, de facto, uma utilização responsável, que possamos ter uma IA de confiança. Como refere Yuval Noah Harari, "esta não é uma inovação tecnológica como outras, é a primeira que consegue tomar decisões por si própria", daí a necessidade urgente de regulamentação. Será essa a preocupação do G7. Deverá ser quanto antes, enquanto a IA ainda é quase nada, já que a sua evolução será muito rápida, em poucos anos. Lembremo-nos que o primeiro telemóvel apareceu há apenas 50 anos e, desde aí, a tecnologia evoluiu de forma cada vez mais rápida. Nesta matéria, em 10 anos, tudo vai mudar!

Regra básica: o utilizador saber que não está a conversar com um humano. Reduzir riscos de manipulação, salvaguardar a democracia. Teoricamente, aqui, parece haver unanimidade no G7, mas o G7 não garante a total globalização das opiniões! Haverá grandes divisões, até porque a muitos interessará bastante a manipulação de atos eleitorais, por exemplo, com fake news e outras ações que, atualmente, já proliferam. A intimidade é a arma mais eficiente e a IA ganhou essa capacidade!

Vejamos algumas possíveis consequências. O sistema financeiro, por exemplo. Atualmente, mais de 90% do dinheiro não é físico e o que dá valor ao dinheiro são opiniões divulgadas por ministros, banqueiros e, agora, os "donos" das criptomoedas.

Na administração pública, precisamos de garantir que os direitos dos cidadãos não sejam postos em causa,  garantir que algumas matérias sejam obrigatoriamente tratadas por pessoas e/ou com rigorosa e permanente supervisão de pessoas sobre máquinas. Aperfeiçoamento da prevenção de ciber-ataques, agora que, certamente, irão ter muito mais potencialidades, já que também vão utilizar a IA. Isto, para podermos usufruir de uma administração pública mais eficaz e mais próxima do cidadão, benefício de que podemos esperar da IA.

Na Educação, a IA poderá ser um bom complemento de personalização do ensino, que o torne mais individualizado, melhor adaptado às limitações e capacidades de cada um. Também na desburocratizarão da profissão docente, libertando professores para tarefas pedagógicas e pensamento crítico. Mas, simular é grande arte da IA e isso terá profundo impacto na avaliação dos alunos que, reformulada, poderá fornecer feedback mais eficaz sobre o seu desempenho, com benefícios para estes e professores. Temos de nos preocupar com a formação dos docentes e da restante comunidade escolar. Temos de nos preocupar com a atualização de redes e equipamentos informáticos das escolas, em grande parte, obsoletos. Até para prevenir desigualdades, inerentes a acesso diferenciado dos alunos à tecnologia. Não estamos, seguramente, preparados para isto. Muito há a fazer para aliviar a carga burocrática de professores e serviços administrativos, potenciaríamos o ensino à distância, com ambientes de aprendizagem mais interativos e inclusivos, e estimular o pensamento crítico dos estudantes, sem abdicar, claro, das relações interpessoais, da empatia com os alunos. O ambiente que, atualmente, se vive nas escolas básicas e secundárias está longe de ser a mais favorável para o trabalho e inovação dos seus trabalhadores. Precisamos apostar e valorizar os recursos humanos das nossas escolas, dar-lhes estímulo para os preparar para a mudança. Estabilizar o ambiente nas escolas.

E o emprego, ou melhor, o desemprego, os postos de trabalho? Que impacto? Os postos de trabalho ligados a estas especialidades tecnológicas poderão compensar a cada vez maior substituição de humanos pela IA?

O investimento de cada euro e tempo em IA tem de ser acompanhado com, pelo menos, o mesmo investimento na Educação, nos seus recursos materiais e humanos, por forma a que o primeiro investimento não resulte em algo inútil, ou até contraproducente para o nosso desenvolvimento. Saibamos aproveitar as potencialidades da IA e combater os seus riscos.

sábado, 6 de maio de 2023

Aferir o quê?!

“As provas de aferição servem para dar informações às escolas, professores, encarregados de educação e alunos sobre o desempenho e nível de aprendizagem dos estudantes. Isto permite ter uma intervenção pedagógica atempada, dirigida às dificuldades de cada aluno. Da mesma forma, as escolas ficam a saber quais as áreas de aprendizagem nas quais os estudantes têm mais ou menos dificuldades.”

Parece-me, assim, importante a sua realização, proporcionando um feedback às escolas e ao próprio Ministério, conducente à adoção das medidas e estratégias mais adequadas para melhorar as aprendizagens, principalmente no final de cada ciclo, e o desempenho da Escola.

A recente medida que determina a execução destas provas por meios digitais, para além de promover a literacia digital, apresenta vantagens ambientais evidentes, evitando o consumo de muitas toneladas de papel. Poderá, ainda, servir como bom ensaio e aferição desta medida a ser aplicada nos exames nacionais, exigindo, no entanto, os maiores cuidados quando à garantia do sigilo digital, considerando a frequente violação dos sistemas informáticos de ministérios, bancos e outros organismos, supostamente poderosos.

Curiosamente, não terão sido estas as vantagens referidas pelo Sr. Ministro, dando mais ênfase ao objetivo de se “poupar o trabalho burocrático dos professores”, o que, não deixando de ser verdade, esta será a medida que menos estará na mente dos docentes, principalmente quando, nalguns casos, como veremos, poderá não ser a melhor para os alunos e para o Sistema Educativo.

Vem a propósito a adoção destas provas digitais logo no segundo ano do ensino básico, a alunos de 7 e 8 anos, idades em que a leitura e a escrita estão ainda nas primeiras fases de aprendizagem e maturação.

Embora, nestas idades, já haja usos precoces de equipamentos digitais, jogos e YouTube são níveis diferentes das competências dos que, supostamente, se exigem nas provas de aferição, competências que não são ainda bem trabalhadas até essa altura, no ensino básico.

Para além da ansiedade normal, com que será útil confrontar alunos que, a seu tempo, serão sujeitos a exames nacionais, acresce a inerente a esta novidade para que não foram devidamente preparados, resultando num fator que prejudica a validade dos resultados e o propósito da sua realização..

Em termos de validade dos resultados e da sua utilidade, estas também ficam prejudicadas nos 5° e 8° anos, por não terem qualquer interferência na avaliação dos alunos, e estes, tendo essa perceção, tendem para a sua desvalorização, com total falta de empenho.

Então, aferir o quê?!

Seria despropositado prescindir de provas digitais no 2°ano e dar orientações às escolas para, nos seus critérios de avaliação, atribuírem uma ponderação de 10 ou 20% aos resultados destas provas? Penso que não.

Eliminaria os constrangimentos inerentes ao digital em crianças de 7/8 anos e incrementaria a responsabilidade e o consequente empenho dos alunos na execução das provas, aumentando significativamente a sua validade e utilidade.

O Colégio Arbitral pronunciou-se, recentemente, sobre os serviços mínimos na anunciada greve do STOP, que se realiza no período de aplicação das provas de aferição, decidindo, por unanimidade, pelo sua não adoção. 

Como diz o Público, citando a deliberação do Colégio, apesar da sua importância face aos objetivos que se propõem atingir, estas provas “não têm mesmo assim merecido o consenso da comunidade educativa, desde logo porque não são contabilizadas para as notas dos alunos, não tendo, assim, qualquer influência na classificação final que lhes é atribuída, podendo por tal motivo ser encaradas com maior displicência pelos alunos, permitindo por tal motivo questionar a seriedade dos resultados obtidos e desse modo comprometer de alguma maneira a própria finalidade para que foram criadas”.

Não estando em causa a decisão de não decretar serviços mínimos, não deixa de ser uma desvalorização destas provas, justificada, essencialmente, pela sua baixa validade.

Em destaque

O meu blog está, agora, numa nova plataforma! Na Medium!

Caros leitores e amigos, Informo que, a partir desta data, o meu blog estará numa nova plataforma a Medium  (clique aqui ). Esta primeira pl...

Mais populares