domingo, 21 de maio de 2023

IA - soam alertas!

Praticamente todos os dias temos notícias relacionadas com a inteligência artificial (IA). Recconhece-se as suas muitas vantagens mas, atrevo-me a dizer, o que mais está a mobilizar as atenções são os seus perigos.

O G7, os líderes das sete economias mais ricas do mundo, reunidas no Japão, deram início ao que designaram por Processo de Hiroxima. Pretende-se que este processo culmine com um acordo para regulamentar o uso da IA, protegendo os cidadãos dos seus perigos. Não será fácil. De facto, concordando todos com a defesa dos valores da democracia, nipónicos e norte-americanos temem que a regulamentação possa ser demasiado exigente, limitando a inovação, enquanto a Europa trabalha por si, onde a Itália já aboliu algumas ferramentas da IA mais populares.

Importa, de facto, uma utilização responsável, que possamos ter uma IA de confiança. Como refere Yuval Noah Harari, "esta não é uma inovação tecnológica como outras, é a primeira que consegue tomar decisões por si própria", daí a necessidade urgente de regulamentação. Será essa a preocupação do G7. Deverá ser quanto antes, enquanto a IA ainda é quase nada, já que a sua evolução será muito rápida, em poucos anos. Lembremo-nos que o primeiro telemóvel apareceu há apenas 50 anos e, desde aí, a tecnologia evoluiu de forma cada vez mais rápida. Nesta matéria, em 10 anos, tudo vai mudar!

Regra básica: o utilizador saber que não está a conversar com um humano. Reduzir riscos de manipulação, salvaguardar a democracia. Teoricamente, aqui, parece haver unanimidade no G7, mas o G7 não garante a total globalização das opiniões! Haverá grandes divisões, até porque a muitos interessará bastante a manipulação de atos eleitorais, por exemplo, com fake news e outras ações que, atualmente, já proliferam. A intimidade é a arma mais eficiente e a IA ganhou essa capacidade!

Vejamos algumas possíveis consequências. O sistema financeiro, por exemplo. Atualmente, mais de 90% do dinheiro não é físico e o que dá valor ao dinheiro são opiniões divulgadas por ministros, banqueiros e, agora, os "donos" das criptomoedas.

Na administração pública, precisamos de garantir que os direitos dos cidadãos não sejam postos em causa,  garantir que algumas matérias sejam obrigatoriamente tratadas por pessoas e/ou com rigorosa e permanente supervisão de pessoas sobre máquinas. Aperfeiçoamento da prevenção de ciber-ataques, agora que, certamente, irão ter muito mais potencialidades, já que também vão utilizar a IA. Isto, para podermos usufruir de uma administração pública mais eficaz e mais próxima do cidadão, benefício de que podemos esperar da IA.

Na Educação, a IA poderá ser um bom complemento de personalização do ensino, que o torne mais individualizado, melhor adaptado às limitações e capacidades de cada um. Também na desburocratizarão da profissão docente, libertando professores para tarefas pedagógicas e pensamento crítico. Mas, simular é grande arte da IA e isso terá profundo impacto na avaliação dos alunos que, reformulada, poderá fornecer feedback mais eficaz sobre o seu desempenho, com benefícios para estes e professores. Temos de nos preocupar com a formação dos docentes e da restante comunidade escolar. Temos de nos preocupar com a atualização de redes e equipamentos informáticos das escolas, em grande parte, obsoletos. Até para prevenir desigualdades, inerentes a acesso diferenciado dos alunos à tecnologia. Não estamos, seguramente, preparados para isto. Muito há a fazer para aliviar a carga burocrática de professores e serviços administrativos, potenciaríamos o ensino à distância, com ambientes de aprendizagem mais interativos e inclusivos, e estimular o pensamento crítico dos estudantes, sem abdicar, claro, das relações interpessoais, da empatia com os alunos. O ambiente que, atualmente, se vive nas escolas básicas e secundárias está longe de ser a mais favorável para o trabalho e inovação dos seus trabalhadores. Precisamos apostar e valorizar os recursos humanos das nossas escolas, dar-lhes estímulo para os preparar para a mudança. Estabilizar o ambiente nas escolas.

E o emprego, ou melhor, o desemprego, os postos de trabalho? Que impacto? Os postos de trabalho ligados a estas especialidades tecnológicas poderão compensar a cada vez maior substituição de humanos pela IA?

O investimento de cada euro e tempo em IA tem de ser acompanhado com, pelo menos, o mesmo investimento na Educação, nos seus recursos materiais e humanos, por forma a que o primeiro investimento não resulte em algo inútil, ou até contraproducente para o nosso desenvolvimento. Saibamos aproveitar as potencialidades da IA e combater os seus riscos.

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