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domingo, 14 de maio de 2023

O Sol vai devorar a Terra, mas não o Homem!

O Público on-line do passado dia 3 de maio, dizia-nos que, na nossa galáxia, uma estrela teria sido apanhada a devorar um planeta. Tal foi observado em 20 de maio de 2020, suspeitando-se que terá sido um planeta com tamanho semelhante a Júpiter, que estaria muito próximo da sua estrela. Este poderá ser o destino da Terra, daqui a cerca de 5 mil milhões de anos.

Parece-me interessante tentar abordar, à luz dos conhecimentos atuais, um pouco da história do Universo, de como poderemos ter chegado até aqui e do possível futuro do nosso planeta.

Será importante começar por dizer que tudo o que foi observado em 20 de maio de 2020, terá acontecido há, talvez, cerca de 40.000 anos! Isto se, por hipótese, a referida estrela se situar próximo do centro da nossa galáxia, a Via Láctea. De facto, esse é o tempo que as partículas luminosas (fotões) demorarão a chegar até nós, permitindo a visualização de fenómeno. A Terra estará a cerca de 378 triliões de km do centro da galáxia, a luz tem uma velocidade de 300.000 km por segundo, demorando cerca de 40.000 anos a percorrer essa distância.

O ciclo de vida de uma estrela (como o Sol) começa com uma nuvem de hidrogénio com poeiras e outros detritos, possivelmente provenientes de estrelas de geração anterior. Alguma perturbação de densidade provocará o seu colapso e uma zona de maior densidade que, com um campo gravitacional mais forte, atrairá matéria. À medida que a nuvem se contrai, roda cada vez mais depressa, atraindo cada vez mais matéria.

Ao fim de cerca de 1.000 milhões de anos, teremos um sistema planetário primitivo, com um Sol (proto-estrela) já grande, mas frio para iniciar reações nucleares, e proto-planetas, que orbitavam a proto-estrela com rapidez suficiente para evitar cair nela. Proto-estrela e proto-planetas serão cada vez mais compactos e mais quentes. A taxa de natalidade da nossa galáxia é de cerca de sete estrelas por ano.

Estrelas como o Sol, fundem hidrogénio em hélio em cerca de 10.000 milhões da anos e a nossa estrela estará a meio desta fase. Esgota-se o hidrogénio. Cessam as reações nucleares. A gravidade continua e o núcleo vai ficando mais denso e mais quente, queimando, agora, o hélio em carbono e algum oxigénio. A temperatura atinge cerca de 100 milhões de graus. Este núcleo é rodeado por camadas externas maiores e mais frias, brilhando num tom de vermelho. Torna-se numa gigante vermelha. O nosso Sol passará por essa fase daqui a cerca de 4,5 mil milhões de anos e crescerá bastante, podendo abranger as órbitas de Mercúrio, de Vénus e da Terra. Devora o nosso planeta!

Tal como aconteceu com o hidrogénio, o hélio esgota-se, a gravidade nada tem que a contrarie, a expansão pára e as estrelas (como o Sol) colapsam. São as supernovas. Inicia-se outro ciclo.

A violência também existe (e acima de tudo) no Universo. É perigoso! Estrelas comem planetas, as supernovas lançam raios letais pelo espaço, os buracos negros (região onde a gravidade é tão forte que nem a luz não consegue escapar, estrelas colapsadas, por exemplo) chocam uns com outros e os asteróides (corpos celestes que orbitam o Sol) colidem a centenas de quilómetros por segundo!

Esta é uma forma muito simplificada de explicar a coisa.

Mas estejam descansados, o Sol só vai engolir a Terra daqui a 4,5 mil milhões de anos e, nessa altura, o Homo sapiens já não andará por cá. Muito antes disso, deixaremos de cá estar. Estamos a fazer por isso, todos os dias.

Fontes: A História do Universo, Carlos Martins, 2022; Breves Respostas às Grandes Perguntas, Stephen Hawkings, 2021

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