domingo, 25 de junho de 2023

Vasco Rodrigues... vinte anos!

A freguesia de S. João dos Caldeireiros pertence ao concelho de Mértola, distrito de Beja, e está situada junto da margem direita da ribeira de Oeiras, afluente da margem direita do Guadiana, no extremo Noroeste do concelho. Esta freguesia tem 103,44 km2 e 442 habitantes (censos de 2021, -22,1% que em 2011), a densidade populacional é de 4,3 hab/km2. O topónimo composto "S. João dos Caldeireiros" alude, no segundo elemento, ao fabrico de caldeiras no local. S. João é uma referência ao padroeiro da freguesia, S. João Batista.

Vasco Rodrigues é um dos lugares desta freguesia, que terá, atualmente, cerca de 10 habitantes permanentes, podendo atingir um total de 25, nalgumas ocasiões. A cerca de 2,5 km da sede da freguesia, situa-se em propriedades adquiridas por Matias Palma, logo após o 25 de abril de 1974, sendo Neto Valente o atual proprietário.

Vasco Rodrigues está junto à antiga Herdade da Váscua, onde atualmente se identifica um outro núcleo populacional. Hoje, estes dois pequenos aglomerados populacionais (Vasco Rodrigues e Váscua) são identificados pela primeira ou segunda designação, como um só, diferenciando-se por "monte de baixo e "monte de cima", respetivamente, tendo em conta a cota mais baixa da primeira.

A origem do topónimo "Vasco Rodrigues" é desconhecida, havendo indicações que o primeiro poderá ter sido Vasco Roiz (origem espanhola?), remontando ao século XVIII.

(foi consultado o Arquivo Municipal de Mértola e a Junta de Freguesia de S. João dos Caldeireiros; em amável conversa com a Sra. Presidente desta autarquia, foram-nos dadas algumas informações aqui partilhadas)

Em finais de 2002, a convite do meu vizinho Filipe, de lá natural, visitei o monte, adquiri as ruínas de uma casa, que reconstruí e, em junho de 2003, há precisamente vinte anos, inaugurei as instalações. 20 anos!

Com Filipe, em Vasco Rodrigues

Lugar simpático, onde preside o sossego, o silêncio só violado pelo chilrear dos pássaros e uma população maioritariamente idosa, sabedora da vida árdua do campo, com ricas histórias para contar. Gostei.

José Raimundo, Cipriano e o José Tomé eram figuras bem conhecidas e referências de Vasco Rodrigues.

(quando a eles se referiam, respeitosamente, era sempre utilizado o Ti, abreviatura de Tio - Ti Zé Raimundo, Ti Cipriano, Ti Zé Tomé)

Com José Manuel Raimundo tive boas conversas, ricas histórias do seu tempo de encarregado de António Champalimaud, dono de muitos hectares do baixo Alentejo, onde Raimundo acompanhou diariamente o "menino" (filho de Champalimaud), trabalhava e orientava outros homens. Tratava-me, respeitosamente, por senhor professor, havia uma grande amizade e guardo, religiosamente, um cachimbo que me ofereceu.

("cachumbo", como ele dizia)

(Não posso deixar de fazer referência ao legado de António Champalimaud, a Fundação Champalimaud, instituição de excelência e referência mundial no tratamento e investigação em saúde, de que sou utente)

                                           
                                 Com José Raimundo e o meu sogro                                   Cipriano e José Raimundo

O Ti Zé Raimundo "acompanhou" a obra de restauração das minhas ruínas, que nem sempre decorriam da forma como ele achava que devia ser; orientava, também, a queima das ervas da cerca, já que as debilidade dos seus 92 anos não permitiam a sua participação mais ativa. Raivoso, na impossibilidade de se dobrar como queria, chegou a ajoelhar-se para dar a sua ajuda. Recordo-o com saudades.

(José Manuel Raimundo (1911-2005) foi encarregado de António Champalimaud durante cerca de vinte anos e, hoje, dá nome a uma rua de Vasco Rodrigues, onde viveu com as suas duas filhas)

Rua Tio José Raimundo, com a sua casa, ao fundo, a azul

Com Cipriano (mais reservado), tive menos convivência, mas com José Tomé também tive grande proximidade, sendo sempre companhia nas duas ou três vezes por ano que lá passava uns tempos. Não faltavam os ovos, as carnes ou o toucinho com que sempre me presenteava, ele e a sua esposa Catarina.

Não esqueço o dia em que me levantei às cinco da manhã para amassar o pão, feito depois pela Conceição (irmã do Filipe) no forno comunitário do monte. O pão da Conceição não dá para esquecer. Uma delícia!

(Umbelina, Ilda, Cipriano e sua esposa Glória, Tomé, Raimundo e uma das filhas, já não estão entre nós; Conceição e a sua mana estão no Algarve; Catarina, esposa de Tomé, está num lar)

Agora, com mais tempo, penso fazer estadas maiores e mais frequentes em Vasco Rodrigues, fazer companhia às aves (águias e outras espécies), aos coelhos, às perdizes, que saltam à nossa frente, nas caminhadas ou corridas; nas barragens, a companhia das rãs, dos patos e dos gansos, ameaçadores quando a nossa presença é próxima demais; companhia dos gamos, lá longe, nos campos; companhia dos linces, que nunca os vemos, companhia dos peixes do Guadiana. Excelentes espaços de leitura, desporto, lazer.

                        Filipe, a minha mulher, os meus sogros e Eufrázia                            Com o Beto

Mas também a companhia das pessoas do monte, claro. Poucos, mas bons. Excelentes vizinhos. Sempre prontos a colaborar, a conversar, a trocar experiências. A Dona Eufrásia, filha do Ti Zé Raimundo, é, hoje, a matriarca do lugar, uma amizade desde os primeiros momentos de 2003, a referência do monte. O Beto, a Cláudia e a filha, o senhor Vitor e a esposa (habitantes mais recentes, aposentados que escolheram este local para viver), o César, a Ana e o Lucas, filho do César.

 
                                                   Com o César                                                                                O Lucas

O César (o vizinho da frente) é bisneto da Ti Ilda, que ainda conheci, mecânico e trabalhador das minas de Neves-Corvo. Trabalhador, divertido, um amigo. O Lucas é o menino de 3 ou 4 anos que, com as suas pernas arqueadas, vi a correr o monte a grande velocidade. Hoje, é o jovem estudante, que trata da agricultura da cerca e da sua criação de galinhas, culturalmente enraizado no seu Alentejo, militante convicto do PCP, defensor acérrimo das suas idéias, com créditos e valor já reconhecido no seu partido. Vão ouvir falar dele!

Se tudo correr como penso, vou continuar por aqui. Com a família. A ler, a correr, a conviver, a dar uns mergulhos no Guadiana, a fazer a minha sesta à Mário Soares, a beber o café no Fatana (em S. João) ou no Guadiana (ou outro, em Mértola), a comprar os excelentes Queijos do Jacob (na freguesia vizinha de S. Sebastião dos Carros), a acordar com o chilrear dos pássaros e os tiros dos caçadores, sempre com esta gente, a que já foi e a que está, ainda, por aqui.

Utilizando algumas das palavras do malogrado Luís Aleluia, vamos caminhando, tentando ter lentes, a continuar a aprender e fazer com que a nossa memória possa ser pedaços que se colam no coração dos outros.

terça-feira, 20 de junho de 2023

A Idade do Fogo

O fogo é hoje uma preocupação. Lembramo-nos mais dele no Verão, quando o risco é maior e infelizmente pouco, no Outono, Inverno e Primavera, tempo de prevenção. Mas nem sempre foi assim.

Stephen J. Pyne, em Piroceno,

(edição de Livros Zigurate, editora muito recente que saúdo, pela qualidade dos seus 12 livros já editados)

identifica três fogos: o fogo-primeiro, o fogo da natureza, surgido há cerca de 420 milhões de anos, após surgirem as primeiras plantas terrestres; o fogo-segundo, ateado e alimentado por humanos, terá surgido após a última era glacial, há cerca de 2,5 milhões de anos; o fogo-terceiro, atual e praticamente sem limitações, que afeta o clima, os ecossistemas e até a anterior (boa) relação do Homem com o fogo.

De facto, o fogo-segundo é o resultado da domesticação do fogo pelo Homem, colocando-o ao seu serviço, na cozedura de alimentos, na iluminação e no aquecimento. Não mais se separaram, passando o fogo a ser imprescindível para a vida humana.

O fogo-terceiro desagregou os humanos do fogo, passando a ser possível a vida dos primeiros sem o segundo, sendo que este deixou de se desenvolver sem o primeiro. Até certa altura, o fogo-terceiro era uma ferramenta de produção de energia bruta e havia como que uma convivência entre os três fogos. Até ao início do último século.

A auto-regulação deste sistema a três vai dando lugar a algum domínio do fogo, que atinge um pico de difícil retrocesso, com predominância das queimadas descontroladas relativamente às que eram feitas sob controlo, demasiada combustão e, progressivamente, num sistema de feedback positivo, com a ajuda das alterações climáticas com aquecimento global, passando de fogo cooperante a fogo violento e agressivo.

Inconscientemente, criámos a Idade do Fogo!

Enquanto o fogo-segundo dominou o fogo-primeiro, o fogo-terceiro, de exclusiva obra humana, foi o motor da transformação da Terra, a fonte de energia responsável pelo Antropoceno. Imparável! Evitar alguns fogos na agricultura pode resultar na utilização de produtos químicos poluentes e bastante prejudiciais à saúde, nas áreas naturais ou selvagens pode favorecer queimadas prejudiciais e a utilização excessiva de combustíveis fósseis favorece os incêndios florestais.

Em Portugal, a sul do Tejo, pese embora o contributo do Homem e dos herbívoros, mantendo a vegetação mais rasteira e pouco arbustiva, as condições meteorológicas são favoráveis a grandes incêndios; a norte, mais acidentado e com menos gestão de vegetação, em dias mais quentes, acontece o fogo descontrolado, muitas vezes por mão criminosa ou negligência humana.

As previsões dizem que, no pior cenário, devem arder em Portugal continental cerca de 227 mil hectares, menos de metade da área ardida em 2017; na melhor hipótese, a área ardida poderá ficar nos 20 mil hectares, seis vezes inferior à média da década de 2012-2021.

A Força Aérea prevê ter disponíveis 72 aeronaves, equipas multidisciplinares especializadas para dar melhor apoio à decisão mais próxima do palco de operações e tornar mais eficiente o ataque inicial, atualização dos manuais das Forças Armadas que pilotam meios aéreos e formação sobre o comportamento do fogo, para evitar que a sua aproximação incremente a combustão. O maior orçamento de sempre - 52,7 milhões de euros!

Por muitos milhões que se gastem no combate, este é sempre desigual, a favor do fogo. É preciso garantir que não estamos demasiado focados no combate, mas trazer outros atores que possam ajudar a fortalecer o lado da prevenção.

Os aborígenes, em paisagens naturalmente propensas a incêndios, ateiam os seus fogos antes do aparecimento dos relâmpagos. À medida que os incêndios são mais frequentes, tornam-se mais fáceis de controlar. É isto, temos de voltar a usar o fogo como ferramenta, temos de incrementar o fogo-segundo, adaptado aos nossos tempos. Temos de voltar a ter uma boa relação com o fogo.

As alterações climáticas estão a mudar as projeções e avaliações de risco de incêndio florestal, aumentando-as três a quatro vezes mais, invadindo zonas que, normalmente, não eram afetadas. O problema é que as pessoas têm dificuldade em aceitar, em acreditar, e o grande desafio é fazer acreditar e mobilizar as populações para as medidas preventivas que devem ser adoptadas. Precisamos de investir mais na prevenção e incluir e usar o conhecimento das populações.

Stephen Pyne refere quatro categorias de estratégias para se viver com o fogo: (i) deixar o fogo a cargo da natureza, (ii) substituir o fogo selvagem por fogo controlado, (iii) alterar o caráter do ambiente do fogo e (iv) excluir o fogo. Todas elas corretas e, muitas vezes, em conjunto, em diferentes proporções.

Um dos paradoxos referidos por Pyne é o facto de "à medida que queimamos combustível fóssil, temos de fazer arder paisagens vivas. Temos um défice de fogo. Precisamos de tornar os aceiros mais resistentes face ao que se aproxima - e o fogo pode ser a forma mais segura de o conseguir."

Como diz Pyne, "o fogo é a síntese do contexto", e Tiago M. Oliveira (Presidente do Conselho Diretivo da Agência para a Gestão Integrada do Fogo Rural), no prefácio de Piroceno, "só conseguimos mudar a magnitude com que ele se expressa, se alterarmos antecipadamente o seu contexto, isto é, a vegetação suscetível de arder.".

(Tiago M. Oliveira referiu na apresentação de Piroceno, em 13.05.2023, que, deste facto, ainda não conseguiu convencer o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Espero que não se convença tarde demais)

Paradoxalmente, precisamos de mais fogo para termos menos incêndios.

Referência bibliográfica: Stephen J. Pyne, Piroceno, Livros Zigurate, 2023

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Retenção dos alunos - sim ou não?

A retenção dos alunos no ano de escolaridade que frequentam é um tema sempre atual e que divide opiniões.

(chumbar, reprovar, reter, por esta ordem, foram os termos empregues no antigamente, e que foram, sucessivamente, suavizados)

Reter pressupõe uma situação transitória, uma permanência no mesmo ano, a fim de dar ao aluno oportunidade de, em mais tempo, atingir as aprendizagens mínimas, definidas para cada ano de escolaridade.

Ligada à retenção está a escolaridade obrigatória, que foi evoluindo da quarta classe (hoje 4º ano de escolaridade), depois 9º ano (ensino básico) e, atualmente, 12º ano (ensino secundário). Pressupõe-se, assim, que todos os alunos terão capacidades cognitivas para atingir as aprendizagens essenciais para cada nível de ensino, embora com diferentes níveis de consecução.

Excetuando no final de cada ciclo (4º, 6º, 9º e 12º anos), a retenção só se poderá verificar a título excecional, ou seja, na prática, quase nunca (ou nunca), e mesmo no final de ciclo a retenção continua a ser excecional. Claro que, se corresponder a uma avaliação devidamente ponderada e verdadeira do desempenho dos alunos, como acontecerá na esmagadora maioria dos casos, ainda bem.

Mas os professores sentem uma pressão latente do sistema,

(que se sente no ar que se respira nas escolas, uma pressão do Ministério da Educação, de algumas direções das escolas, mas que dependerá, também, da perceção de cada um)

uma pressão para os alunos não serem retidos, podendo, assim, gerar um sucesso escolar tão fictício quanto deixe de corresponder à avaliação das reais aprendizagens adquiridas.

A retenção trará benefícios para o desenvolvimento educativo dos alunos, valoriza o rigor, a exigência, o esforço. Premeia os que se dedicam e motivam o sucesso educativo, a resiliência e a capacitação para transpor obstáculos futuros. Isto, para os que serão a favor das retenções.

Reter alunos será uma medida punitiva que poderá até, por vezes, promover a punição familiar, muitas vezes desproporcionada. Pode, em si mesma, consubstanciar injustiças, considerando a existência de critérios e instrumentos de avaliação diferentes de escola para escola. Pode, ainda, ignorar fragilidades do próprio sistema educativo (desde o pré-escolar) e a existência de ambientes (escolares e/ou familiares) pouco propícios à aprendizagem, por que o aluno foi passando ao longo do seu percurso escolar. Isto, para os que serão contra a retenção.

Todos terão alguma razão e os argumentos de uns não excluem, necessariamente, todos os dos outros.

Tal como o Professor Domingos Fernandes e muito colegas com que me cruzei durante mais de 40 anos, acredito, sem hesitar, que todos os alunos têm capacidades para aprender. Todos terão capacidades para adquirir as aprendizagens essenciais consideradas mínimas para a transição de ano de escolaridade. Necessitarão, com certeza, de um nível diferenciado de apoio para isso acontecer. Uns terão um nível de consecução de objetivos superior, outros inferior, consoante as suas capacidades cognitivas, o seu empenho e o seu ambiente social e familiar.

Aqui chegados, como conseguir que, ao seu nível, todos tenham o seu sucesso educativo, que lhes permita ser útil na sociedade, seguir as suas vidas de acordo com as suas legítimas aspirações?

(entenda-se que não tenho, obviamente, a pretensão de ser inovador mas tão só de refletir sobre esta matéria (e partilhar convosco), usando experiências, leituras e aprendizagens que fui obtendo ao longo da minha vida profissional, com muita colaboração de colegas professores e alunos. Algumas escolas, nos limites da legislação, já dão prática a algumas destas reflexões.)

Para isso, a Escola precisa de mais recursos, ou precisa de os otimizar e/ou rentabilizar. Como referimos, os alunos têm necessidades de apoio diferenciadas. Todos os professores, nas suas turmas, são confrontados com essas diferenças e todos dias ouvem dizer que o ensino terá de atender a cada um, tendo em conta as suas diferenças. Fácil dizer! Difícil (ou impossível) de concretizar com 30, ou mesmo 25 alunos na turma!

Com um horário que incluísse um ou dois tempos letivos

(disse letivos, estas atividades de apoio são, de facto, letivas)

para apoio aos seus alunos com mais dificuldades, seria possível aos docentes fazer essa diferenciação. Um ou dois tempos letivos, consoante a carga horária de cada disciplina, podendo também as mesmas horas serem afetas a mais de uma turma, até um número limite (reduzido) de alunos.

(com a possibilidade de algumas destas horas se realizarem à distância, ao critério da direção da escola)

Assim, teríamos alunos que, para o mesmo currículo, frequentariam 3 ou 4 tempos, por exemplo, para a mesma disciplina, consoante as suas necessidades. Esses tempos teriam de ser obrigatórios para os alunos indicados, podendo ser frequentados apenas em parte do ano letivo.

O envolvimento dos pais e encarregados de educação seria essencial,

(a contratualização com os pais poderá resultar num maior compromisso, maior co-responsabilização dos pais pelo plano de apoio. Sabemos das dificuldades de envolver as famílias, até porque há famílias e "famílias" que não existem. Nenhuma medida terá 100% de êxito e depois, será mais um papel, mas talvez este valha a pena, em substituição de muitos outros)

com especial empenho dos diretores de turma na explicitação destes objetivos, que justificariam um acréscimo de horas curriculares (pelo menos, temporariamente), mas também da importante e imprescindível colaboração em ambiente familiar.

(afinal, quando temos mais dificuldades, temos de trabalhar mais para obter os mesmos resultados, e esta será a cultura do esforço a incutir nos alunos)

A Escola inclusiva não tem de ser facilitista! A Escola deverá proporcionar a todos as mesmas oportunidades, sem abdicar do rigor, da exigência e da qualidade. Numa Escola com recursos otimizados, a retenção será, naturalmente, excecional, não abdicando de uma avaliação fortemente formativa, mas justa e rigorosa, promotora de um sucesso real, não sendo um meio de exclusão e descriminação.

Retenção dos alunos - sim ou não? Sim, mas depois de esgotados todos os recursos necessários para que tal não aconteça. Recursos que os docentes necessitam para um sério exercício da profissão.

Nada se faz sem a colaboração de todos os agentes educativos - alunos, professores, pais e encarregados de educação, pessoal não docente e autarquias locais, mas precisamos de os estimular, de melhorar as carreiras profissionais, de apostar nas escolas, com mais e melhores recursos humanos e materiais.

Temos excelentes profissionais!

A Escola Pública de qualidade será sempre cara, mas será sempre um investimento!

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