terça-feira, 30 de maio de 2023

João Vau - o meu padrinho!

Era uma vez uma senhora que tinha um lugar na praça (hoje, Mercado Municipal), no Montijo, conhecida por Ti Virgínia. Na altura, por volta dos anos sessenta do século passado, os fornecedores de frutas e hortaliças para o mercado chegavam por volta das sete, sete e meia da manhã, mas a Ti Virgínia nunca chegava depois das seis, para conseguir as frutas de melhor qualidade.

Lembro-me de algumas vendedoras, 

(a Ana Rosa, a Eugénia, a Maria Luísa, a Augusta, que vendia frangos,...)

até porque eu era visita obrigatória de todas estas e de muitas mais, pelo menos uma vez por semana. A Ti Virgínia, a minha avó, dava-me a mão e ia mostrar-me a quase toda a praça, com grande orgulho e entusiasmo! Era uma alegria! O neto da Ti Virgínia era lá famoso!

Com a minha mãe, ia muitas vezes à praça e recebia a semanada, penso que de cinco escudos, que foi aumentando e chegou a vinte. Com mais alguns anitos, comecei a ir ajudar a minha avó a pesar, a fazer trocos, a fazer caldo verde.

(muito gostava eu de dar à manivela daquela máquina!)

Foram bons anos!

Por hábito, quando recebia o resultado dos exercícios (como se dizia na altura), que fazia na escola primária, na turma do Professor Cortiço, ia logo dar a notícia à Ti Virgínia, principalmente, quando eram positivas, claro. Um dia, vim da escola direto à praça e dei notícia de um descuido: xi-xi nas calças! Como morava perto da praça, a minha avó levou-me a casa e, cá de baixo da escada, disse à minha mãe : "olha, Maria, o teu filho teve um bom!", isto acompanhado de grandes gargalhadas. Uma alegria!

Mas isto tudo

(desviei-me do objetivo desta publicação)

para dizer que, a praça, tal como hoje, também tinha talhos, um deles era do "Zé do Talho", ou o "Zé do Vau", com quem a minha avó também tinha muito boa relação. O "Zé do Vau" tinha um filho, por quem a Ti Virgínia tinha um grande carinho, uma grande admiração, andava a estudar, andava a tirar um curso - o João Vau, o João Francisco de Oliveira Vau.

Bom, de facto, a Ti Virgínia adorava o João Vau e ele também tinha um grande carinho por ela, e o João Vau, o filho do "Zé do Vau", tinha de ser padrinho do neto. E foi! Padrinho de batismo,

(na altura, por influência da minha titi Júlia, todos tínhamos de ser católicos; depois, mais tarde, comecei a faltar à missa para ir ver o futebol, a titi não gostou, mas o meu pai não me obrigou a ir à missa, e acabou assim)

dizia, padrinho de batismo e depois, padrinho de casamento, já a minha avó não estava entre nós. "Muito gostaria a Ti Virgínia de ter podido ver!", dizia-me ele.

Os padrinhos, em 13 de outubro de 1979

E o João Vau assumiu, por inteiro, a sua função de padrinho. Professor de profissão, acompanhou toda a minha fase escolar, com um contínuo apoio, muito importante para a sua conclusão. Depois dos meus pais, não tenho dúvidas em dizer que foi quem mais me influenciou em tudo o que fui fazendo na vida, como aluno e, depois, como colega professor. As corridas e o gosto pelos livros foram também obra dele!

(o João era amante do jogging, tem muitos quilómetros nas pernas, e um amante de livros, como ainda é hoje, um amante do conhecimento. Com muita pena minha, nunca fiz uma corrida com ele, já que um acidente não o deixou continuar, mas não me esqueço das nossas visitas à Livraria Escolar Editora, na Rua da Escola Politécnica, junto à antiga Faculdade de Ciências de Lisboa (FCL), sempre à procura das últimas novidades da ciência)

Todos sabem bem de quem falo, do Dr. João Vau, professor que lecionou muitos anos na atual Escola Secundária Jorge Peixinho (ESJP).

(antes, Escola Industrial e Comercial de Montijo, Escola Secundária de Montijo e Escola Secundária Nº 1 de Montijo)

Casado com a minha madrinha Silvina Vau, também docente aposentada, e com dois filhos, o Nuno e a Sílvia, médico e bióloga investigadora, ambos doutorados. Destacando alguns dados do seu vasto currículo, foi o primeiro docente efetivo desta sua escola proveniente de Exame de Estado perante um júri nacional onde, logo após o 25 de Abril de 1974, foi Diretor da então Escola Industrial e Comercial de Montijo. Na ESJP, muitos outros cargos se seguiram. Em parceria com o Professor Doutor Galopim de Carvalho, que orientava a componente científica, foi Orientador de Estágio do Ramo Educacional da FCL, durante 14 anos, na altura, o único núcleo de estágio de Geologia no país.

Em 1983, no âmbito do Grupo de Estágio do Ramo Educacional da FCL, no seminário sobre Sismologia, na Câmara Municipal de Montijo, com o Professor Francisco Santos (Presidente do Conselho Diretivo da ESJP), o autor desta publicação, o Professor Doutor Carlos Sousa Oliveira (do Laboratório Nacional de Engenharia Civil) e o Dr. Sérgio Pinto, já falecido (Presidente da Câmara Municipal de Montijo)

Em 1980, com os Professores Galopim de Carvalho, Gil Pereira, José Brandão, Perdigão Silva e Pires Batista, foi co-autor do primeiro manual escolar de Geologia, para o 12º ano do ensino secundário. Em 1984, foi co-autor da prova de exame nacional do 12º ano, de Geologia. Pertenceu ao grupo restrito de professores do ensino secundário convidados para as conferências, organizadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, a propósito da Conferência do Rio,

(também conhecida como Eco-92, Cúpula da Terra, Cimeira do Verão, Conferência do Rio de Janeiro e Rio 92, foi uma conferência de chefes de estado organizada pelas Nações Unidas e realizada de 3 a 14 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil)

Ao longo dos seus 44 anos de serviço, em escolas do Barreiro, Setúbal e Montijo, tinha com os seus muitos alunos e estagiários uma excelente relação, uma boa disposição permanente e um amor à sabedoria, que lhes transmitia sempre com grande saber, entusiasmo e dedicação.

Em janeiro de 2001, no jantar de minha despedida do Centro da Área Educativa da Península de Setúbal, com o meu filho, o Major Parracho, que dirigia o Gabinete de Segurança do Ministério da Educação, e o Capitão Pires, do Gabinete de Segurança da Direção Regional de Educação de Lisboa.

Um amante da sua Geologia, mas não só. A leitura diária, que hoje continua, quase compulsiva, de jornais, de revistas e de literatura variada, faz dele uma fonte de saber em variadas áreas do conhecimento. Recentemente, convidado por alguns docentes, fez uma palestra para alunos e professores da sua ESJP, sobre o Universo e, na Universidade Sénior do Montijo (USM), uma outra sobre "O Papel da Mulher nas Ciências". Em ambas, com plateias cheias e bastante interessadas. Continua a colaborar com a USM, tendo prevista nova conferência, em setembro do corrente ano.

Na Palestra sobre o Universo, com as Professoras Rosa Balão e Teresa Bordeira, na ESJP, em 3 de junho de 2022


Na conferência "O Papel da Mulher nas Ciências", com os seus netos, na USM, em 3 de março de 2023

Em reunião da Assembleia Municipal de Montijo, de 13 de setembro de 2013 (a cerca de um mês do fim do mandato autárquico e em pleno período eleitoral), o então deputado municipal José Manuel Mata Justo

(o meu colega e grande amigo Zé Justo, também, tal como eu, professor recentemente aposentado, integrou também comigo um grupo de estágio orientado pelo Professor João Vau)

dizia que o Dr. José Mata Justo apresentou, nessa altura, uma sugestão para atribuição da medalha de ouro da cidade de Montijo ao Professor João Francisco de Oliveira Vau. Recentemente, após a excelente conferência na Universidade Sénior que atrás referi, lamentou que ainda não tivesse sido atribuída essa merecida distinção.

Seria merecido! Também muito me alegrava que isso acontecesse!

João Vau, uma vida ao serviço do conhecimento, do ensino, da Educação do Montijo!

Bem haja Dr. João Vau! Bem haja padrinho! Obrigado.

PS - Encontrei-o, ontem, em casa, com 82 anos, com o entusiasmo de sempre, a ler um livro do Professor Carlos Teixeira, eminente professor de Geologia! Para saber mais! Sempre!

terça-feira, 23 de maio de 2023

A carreira e os alunos, a razão da profissão docente.

Iniciei a minha carreira em 13 de janeiro de 1978, na Escola Secundária da Moita, com horário incompleto, como Professor Provisório.

Acabei o ano letivo de 1977-78 e interrompi para terminar a licenciatura, voltando à docência em 23 de outubro de 1981, na Escola C+S de Alcochete, também como Professor Provisório.

Acabei o ano letivo 1981-82 e, no ano seguinte, como Professor Estagiário, ingressei na Escola Secundária do Montijo (hoje, Escola Secundária Jorge Peixinho). Terminado o estágio, aqui continuei em 1983-84, como Professor Não Efetivo.

Em 1984-85 fui colocado na Escola Secundária da Moita, já como Professor Efetivo, tendo sido destacado para a Escola Secundária do Montijo como Delegado à Profissionalização, orientando (ou tentando orientar) um professor estagiário.

Em 1985-86 fui colocado novamente na Escola C+S de Alcochete, mas já como Professor Efetivo, voltando em 1986-87 à Escola Secundária do Montijo, depois Escola Secundária Nº 1 de Montijo e depois Escola Secundária Jorge Peixinho.

Entre 1996 e 2001 fui destacado para a Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, onde exerci o cargo de Coordenador do Centro da Área Educativa da Península de Setúbal.

Voltei à minha Escola Secundária Jorge Peixinho e aqui fiquei. Desempenhei vários cargos e, com muita honra e dedicação, fui Diretor entre 17 de junho de 2009 e 17 de julho de 2013. Aposentei-me em 1 de fevereiro de 2023.

Ensinamos o melhor que sabemos e podemos, mas aprendemos muito, com os colegas, com os alunos. Os alunos, a razão de ser da nossa profissão.

Quero, por isso, aqui, recordar, com saudade e reconhecimento, todos os meus alunos. Pena que só tenha fotos deles a partir 2015. Antes não era hábito fazer esse registo, ou eu infelizmente não o tinha, e as tecnologias passaram a facilitar bastante.

Deixo aqui algumas dessas fotos, das minhas turmas, desde o ano letivo de 2014-2015.

Turma C do 10° Ano - Ano Letivo 2014-2015

Turma C do 11° Ano - Ano Letivo 2014-2015

Turma B do 10° Ano - Ano Letivo 2015-2016

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2015-2016

Turma B do 10° Ano - Ano Letivo 2016-2017

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2016-2017

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2017-2018

Turma A do 10° Ano - Ano Letivo 2018-2019

Turma B do 10° Ano - Ano Letivo 2020-2021

Turma B do 11° Ano - Ano Letivo 2021-2022

Alguns dias antes da data de aposentação, já não voltaria à escola, recebi um telefonema dos alunos da minha última turma, dizendo que se queriam despedir de mim. Voltei e aqui fica a última foto, em 26 de janeiro de 2023. Só os professores sabem o que, verdadeiramente, isto significa.


Um grande abraço a todos eles, todos, os da foto e a todos os outros que tive em 41 anos de serviço.

Um profundo e reconhecido agradecimento aos colegas que, ao longo dos anos, me foram ensinando a ser professor. Igualmente, estou muito agradecido aos assistentes técnicos e operacionais, cujo trabalho é tão importante e muitas vezes não reconhecido.

Nas fotos, quem conhece quem?

Obrigado.
Sucessos e felicidades para todos.

domingo, 21 de maio de 2023

IA - soam alertas!

Praticamente todos os dias temos notícias relacionadas com a inteligência artificial (IA). Recconhece-se as suas muitas vantagens mas, atrevo-me a dizer, o que mais está a mobilizar as atenções são os seus perigos.

O G7, os líderes das sete economias mais ricas do mundo, reunidas no Japão, deram início ao que designaram por Processo de Hiroxima. Pretende-se que este processo culmine com um acordo para regulamentar o uso da IA, protegendo os cidadãos dos seus perigos. Não será fácil. De facto, concordando todos com a defesa dos valores da democracia, nipónicos e norte-americanos temem que a regulamentação possa ser demasiado exigente, limitando a inovação, enquanto a Europa trabalha por si, onde a Itália já aboliu algumas ferramentas da IA mais populares.

Importa, de facto, uma utilização responsável, que possamos ter uma IA de confiança. Como refere Yuval Noah Harari, "esta não é uma inovação tecnológica como outras, é a primeira que consegue tomar decisões por si própria", daí a necessidade urgente de regulamentação. Será essa a preocupação do G7. Deverá ser quanto antes, enquanto a IA ainda é quase nada, já que a sua evolução será muito rápida, em poucos anos. Lembremo-nos que o primeiro telemóvel apareceu há apenas 50 anos e, desde aí, a tecnologia evoluiu de forma cada vez mais rápida. Nesta matéria, em 10 anos, tudo vai mudar!

Regra básica: o utilizador saber que não está a conversar com um humano. Reduzir riscos de manipulação, salvaguardar a democracia. Teoricamente, aqui, parece haver unanimidade no G7, mas o G7 não garante a total globalização das opiniões! Haverá grandes divisões, até porque a muitos interessará bastante a manipulação de atos eleitorais, por exemplo, com fake news e outras ações que, atualmente, já proliferam. A intimidade é a arma mais eficiente e a IA ganhou essa capacidade!

Vejamos algumas possíveis consequências. O sistema financeiro, por exemplo. Atualmente, mais de 90% do dinheiro não é físico e o que dá valor ao dinheiro são opiniões divulgadas por ministros, banqueiros e, agora, os "donos" das criptomoedas.

Na administração pública, precisamos de garantir que os direitos dos cidadãos não sejam postos em causa,  garantir que algumas matérias sejam obrigatoriamente tratadas por pessoas e/ou com rigorosa e permanente supervisão de pessoas sobre máquinas. Aperfeiçoamento da prevenção de ciber-ataques, agora que, certamente, irão ter muito mais potencialidades, já que também vão utilizar a IA. Isto, para podermos usufruir de uma administração pública mais eficaz e mais próxima do cidadão, benefício de que podemos esperar da IA.

Na Educação, a IA poderá ser um bom complemento de personalização do ensino, que o torne mais individualizado, melhor adaptado às limitações e capacidades de cada um. Também na desburocratizarão da profissão docente, libertando professores para tarefas pedagógicas e pensamento crítico. Mas, simular é grande arte da IA e isso terá profundo impacto na avaliação dos alunos que, reformulada, poderá fornecer feedback mais eficaz sobre o seu desempenho, com benefícios para estes e professores. Temos de nos preocupar com a formação dos docentes e da restante comunidade escolar. Temos de nos preocupar com a atualização de redes e equipamentos informáticos das escolas, em grande parte, obsoletos. Até para prevenir desigualdades, inerentes a acesso diferenciado dos alunos à tecnologia. Não estamos, seguramente, preparados para isto. Muito há a fazer para aliviar a carga burocrática de professores e serviços administrativos, potenciaríamos o ensino à distância, com ambientes de aprendizagem mais interativos e inclusivos, e estimular o pensamento crítico dos estudantes, sem abdicar, claro, das relações interpessoais, da empatia com os alunos. O ambiente que, atualmente, se vive nas escolas básicas e secundárias está longe de ser a mais favorável para o trabalho e inovação dos seus trabalhadores. Precisamos apostar e valorizar os recursos humanos das nossas escolas, dar-lhes estímulo para os preparar para a mudança. Estabilizar o ambiente nas escolas.

E o emprego, ou melhor, o desemprego, os postos de trabalho? Que impacto? Os postos de trabalho ligados a estas especialidades tecnológicas poderão compensar a cada vez maior substituição de humanos pela IA?

O investimento de cada euro e tempo em IA tem de ser acompanhado com, pelo menos, o mesmo investimento na Educação, nos seus recursos materiais e humanos, por forma a que o primeiro investimento não resulte em algo inútil, ou até contraproducente para o nosso desenvolvimento. Saibamos aproveitar as potencialidades da IA e combater os seus riscos.

terça-feira, 16 de maio de 2023

O Futuro tem Mudança

Realizou-se, ontem, no Canto do Tejo Café, em Montijo, a apresentação do livro da Dra. Maria Amélia Antunes, O Futuro Tem Mudança. Com a sala cheia, a mesa contou com com a presença do Dr. Batista Lopes, responsável pela Âncora Editora, da autora e da Doutora Cândida Almeida, que fez a apresentação da obra.

Com excelentes intervenções e toda a atenção dos muitos presentes, o obra apresentada é uma compilação de textos publicados pela autora na imprensa local, regional e nacional e ainda na Revista Municipal da cidade de Montijo, entre 1998 e 2022. Entre outros cargos, a Dra  Amélia Antunes foi Presidente da Câmara Municipal de Montijo, e é Comendadora da Ordem de Mérito, condecorada pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, em 2015.

Os textos revelam reflexões, opiniões, propostas que, ao longo dos anos, consubstanciam o seu percurso político. Uma lição de ética e qualidade, ao serviço da região de Setúbal e da cidade de Montijo, em particular. Mas também do país. Recordo que, ainda que presentemente afastada da atividade política ativa, na qualidade de consultora jurídica, teve um papel de grande relevância na elaboração do estudo que esteve na base da criação das NUTS II e III da Península de Setúbal, que permitirão a atribuição de significativos fundos europeus, promotores do desenvolvimento que a nossa região muito necessita.

O livro vale a pena ser lido, também pela atualidade de alguns dos textos, mesmo passados já bons anos. A título de exemplo, transcrevo duas passagens:

Nos últimos anos, com o aumento das desigualdades sociais, do desemprego, da fome, com a tomada de consciência generalizada para os problemas globais, como os recursos energéticos, as alterações climáticas a multiculturalidade, a igualdade de direitos, os partidos políticos não conseguiram intervir por forma a dar resposta para a resolução dos principais problemas que afetam as pessoas, aparecendo hoje, como instituições fragilizadas, aos olhos dos cidadãos. É um facto iniludível que os partidos não conseguem mobilizar os cidadãos em geral para as suas causas e propostas. A crescente abstenção nos sucessivos atos eleitorais é disso prova bastante, sendo hoje a doença grave da democracia, mas o desinteresse não se fica por aqui. As associações da sociedade civil deixaram de ter a relevância de outrora e autonomia para cumprir o seu papel de agentes sociais, culturais, desportivos e recreativos, não conseguindo a participação generalizada dos seus associados ou angariar novos aderentes. Numa palavra, deixaram de corresponder aos interesses dos seus associados em geral.” Publicado em Rostos de 19.07.2014

Hoje, os cidadãos não participam porque não se identificam com a falta de verdade e transparência, não se identificam porque não confiam nas instituições e nos seus representantes, não se identificam porque sentem o afastamento dos seus representantes e que estes não prestam contas. Não se identificam porque sentem que são usados para outros fins, são enganados, são depois descartáveis; não se identificam porque as suas posições, as suas propostas não são levadas em conta, não se identificam porque percebem que não são os seus interesses que estão a ser defendidos.” Publicado no Diário da Região de 01.04.2016

2014 e 2016!

Parabéns, Dra. Amélia Antunes!

O FUTURO tem MUDANÇA!

domingo, 14 de maio de 2023

O Sol vai devorar a Terra, mas não o Homem!

O Público on-line do passado dia 3 de maio, dizia-nos que, na nossa galáxia, uma estrela teria sido apanhada a devorar um planeta. Tal foi observado em 20 de maio de 2020, suspeitando-se que terá sido um planeta com tamanho semelhante a Júpiter, que estaria muito próximo da sua estrela. Este poderá ser o destino da Terra, daqui a cerca de 5 mil milhões de anos.

Parece-me interessante tentar abordar, à luz dos conhecimentos atuais, um pouco da história do Universo, de como poderemos ter chegado até aqui e do possível futuro do nosso planeta.

Será importante começar por dizer que tudo o que foi observado em 20 de maio de 2020, terá acontecido há, talvez, cerca de 40.000 anos! Isto se, por hipótese, a referida estrela se situar próximo do centro da nossa galáxia, a Via Láctea. De facto, esse é o tempo que as partículas luminosas (fotões) demorarão a chegar até nós, permitindo a visualização de fenómeno. A Terra estará a cerca de 378 triliões de km do centro da galáxia, a luz tem uma velocidade de 300.000 km por segundo, demorando cerca de 40.000 anos a percorrer essa distância.

O ciclo de vida de uma estrela (como o Sol) começa com uma nuvem de hidrogénio com poeiras e outros detritos, possivelmente provenientes de estrelas de geração anterior. Alguma perturbação de densidade provocará o seu colapso e uma zona de maior densidade que, com um campo gravitacional mais forte, atrairá matéria. À medida que a nuvem se contrai, roda cada vez mais depressa, atraindo cada vez mais matéria.

Ao fim de cerca de 1.000 milhões de anos, teremos um sistema planetário primitivo, com um Sol (proto-estrela) já grande, mas frio para iniciar reações nucleares, e proto-planetas, que orbitavam a proto-estrela com rapidez suficiente para evitar cair nela. Proto-estrela e proto-planetas serão cada vez mais compactos e mais quentes. A taxa de natalidade da nossa galáxia é de cerca de sete estrelas por ano.

Estrelas como o Sol, fundem hidrogénio em hélio em cerca de 10.000 milhões da anos e a nossa estrela estará a meio desta fase. Esgota-se o hidrogénio. Cessam as reações nucleares. A gravidade continua e o núcleo vai ficando mais denso e mais quente, queimando, agora, o hélio em carbono e algum oxigénio. A temperatura atinge cerca de 100 milhões de graus. Este núcleo é rodeado por camadas externas maiores e mais frias, brilhando num tom de vermelho. Torna-se numa gigante vermelha. O nosso Sol passará por essa fase daqui a cerca de 4,5 mil milhões de anos e crescerá bastante, podendo abranger as órbitas de Mercúrio, de Vénus e da Terra. Devora o nosso planeta!

Tal como aconteceu com o hidrogénio, o hélio esgota-se, a gravidade nada tem que a contrarie, a expansão pára e as estrelas (como o Sol) colapsam. São as supernovas. Inicia-se outro ciclo.

A violência também existe (e acima de tudo) no Universo. É perigoso! Estrelas comem planetas, as supernovas lançam raios letais pelo espaço, os buracos negros (região onde a gravidade é tão forte que nem a luz não consegue escapar, estrelas colapsadas, por exemplo) chocam uns com outros e os asteróides (corpos celestes que orbitam o Sol) colidem a centenas de quilómetros por segundo!

Esta é uma forma muito simplificada de explicar a coisa.

Mas estejam descansados, o Sol só vai engolir a Terra daqui a 4,5 mil milhões de anos e, nessa altura, o Homo sapiens já não andará por cá. Muito antes disso, deixaremos de cá estar. Estamos a fazer por isso, todos os dias.

Fontes: A História do Universo, Carlos Martins, 2022; Breves Respostas às Grandes Perguntas, Stephen Hawkings, 2021

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Transparência, transparência, transparência! Verdade, verdade, verdade!

Num tempo em que o PS e o Governo são bombos da festa (muito por culpa própria, claro), achei importante partilhar convosco algumas passagens da entrevista de Jorge Seguro Sanches, ex-presidente da CPI à TAP, publicada no Expresso de hoje. JSS saiu da presidência da CPI por sentir que o seu caráter foi atacado.

Diz ele que “numa CPI, os deputados estão lá não representando os respetivos partidos, mas representando-se a si próprios. Nós ali não estamos para responder aos diretórios partidários. Nós estamos ali para responder exatamente no mandato direto com o povo. E eu senti que isto não estava a conseguir funcionar desta forma. […] Os diretórios partidários têm de perceber que as comissões de inquérito não funcionam para cumprir ordens dos partidos. Os deputados estão lá para apurar a verdade, para fazer um relatório e, com isso, dar um contributo melhor para o país.

Sobre se é normal a realização de reuniões de preparação de uma audição, disse que “não, o que eu acho é que, acima de tudo, devem ser transparentes, porque se houver transparência a normalidade é aferida logo pelos outros, se não for pelo próprio.

Sobre uma reunião preparatória um dia antes da audição, “não, não, não, isso não faço. Aquilo que melhor defende os deputados é a transparência. Não só os deputados, mas quem esteja na vida política. Devemos ter [na AR], à semelhança do que acontece no Parlamento Europeu (PE) e noutros parlamentos, um registo de todas as reuniões dos seus deputados. […] Acho que estas reuniões e outras devem ser registadas num site, como acontece no PE.

Sobre se faz sentido o Ministro Galamba falar com deputados PS para preparar a sua audição na CPI, disse que “é evidente que não”.

Muito bem! Tudo muito claro, como sempre deveria ser. Que o desempenho dos senhores deputados aconteça no estrito rigor das suas competências e deveres.

Verdade, verdade, verdade! Transparência, transparência, transparência!

PS - Não resisto a transcrever uma outra passagem que li no Expresso de hoje: “ Face à " desgovernação socialista", seria normal dizer-se que "o líder da oposição vai ser primeiro-ministro um dia, só não se sabe quando", mas, segundo uma fonte do PSD, o que se ouve cada vez mais é que "o líder da oposição vai cair, só não se sabe quando”.”. Achei engraçado. Aqui fica.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Península de Setúbal - 353 M€ até 2026!

Depois do anúncio de António Costa, em setembro último, ontem, 10.05.2023, foi publicada no Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros, que pormenoriza alguns dados dos projetos para a margem sul do Tejo, que atingirão os 353 M€, até 2026. Alguns números a saber:

  • Corredor verde Almada-Alcochete em via pedonal, com jardins e cinco pequenos cais fluviais - 115 M€;
  • Pontes Barreiro-Seixal e Barreiro-Montijo - 80 M€;
  • Estudos técnicos e de viabilidade financeira da extensão do Metro Sul do Tejo à Costa da Caparica e até Alcochete - 10,5 M€;
  • Novo terminal fluvial da Moita e reabilitação dos terminais de Cacilhas, Seixal, Barreiro e Montijo.
Por definir, está, ainda, a tipologia das pontes a construir.

Estes projectos compensam, de alguma maneira, a penalização a que a Península de Setúbal tem estado sujeita, pelo facto de estar integrada na NUTS II da Área Metropolitana de Lisboa, situação que será revista a partir de 2027, com a criação, já aprovada, das NUTS II e III para a nossa região.

A gestão será atribuída à Sociedade Arco Ribeirinho Sul, cuja comissão executiva será constituída pela Estamo (empresa pública que gere as participações imobiliárias do Estado), que designa o presidente, e pelos municípios de Almada. Barreiro e Seixal. A comissão de acompanhamento permanente integrará os restantes municípios da região, com um total de quase trinta entidades.

2026! É pouco tempo. Alguém estará cá para aferir e avaliar a concretização destes projetos. Pelo merecido desenvolvimento da Península de Setúbal. Acredito que sim!

É que não me esqueço da pompa e circunstância com que foi anunciado no novo aeroporto no Montijo! E agora, tudo está no zero!

Mas acredito que estes projetos se concretizarão.

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